fonte da imagem: http://blogdotarso.com/2013/04/15/charges-nao-a-reducao-da-maioridade-penal/

Redução da maioridade penal: Retrocesso ou avanço?

Hoje a CCJ – Comissão de Constituição e Justiça da Câmara – aprovou hoje a PEC 171/93 que reduz a maior idade penal de 18 para 16 anos no Brasil.

“No exame da admissibilidade, a CCJ analisa apenas a constitucionalidade, a legalidade e a técnica legislativa da PEC. Agora, a Câmara criará uma comissão especial para examinar o conteúdo da proposta, juntamente com 46 emendas apresentadas nos últimos 22 anos, desde que a proposta original passou a tramitar na Casa.

A comissão especial terá o prazo de 40 sessões do Plenário para dar seu parecer. Depois, a PEC deverá ser votada pelo Plenário da Câmara em dois turnos. Para ser aprovada, precisa de pelo menos 308 votos (3/5 dos deputados) em cada uma das votações.

Depois de aprovada na Câmara, a PEC seguirá para o Senado, onde será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e depois pelo Plenário, onde precisa ser votada novamente em dois turnos.

Se o Senado aprovar o texto como o recebeu da Câmara, a emenda é promulgada pelas Mesas da Câmara e do Senado. Se o texto for alterado, volta para a Câmara, para ser votado novamente. Não cabe veto da Presidência da República pois se trata de emenda à Constituição. A redução, se aprovada, pode ser questionada no Supremo Tribunal Federal, responsável último pela análise da constitucionalidade das leis.”  (fonte: Carta Capital).

Vários questionamentos surgem a partir dai. O mais importante deles é que: será que a redução da maioridade penal vai contribuir para a diminuição da violência? A resposta que tenho é curta grossa: NÃO.

Você, caro leitor que é favorável a redução provavelmente vai parar de ler este post aqui e aconselho que o faça, pois se continuar vai passar raiva. Cito abaixo 18 razões que explicam de maneira muito clara o porque a redução da maioridade penal não é solução e sim uma forma do Estado se eximir de sua responsabilidade social e educacional com a juventude, além de transferir a responsabilidade para o sistema penal brasileiro, que bem sabemos é falido.

As 18 Razões CONTRA a Redução da Maioridade Penal

1°. Porque já responsabilizamos adolescentes em ato infracional

A partir dos 12 anos, qualquer adolescente é responsabilizado pelo ato cometido contra a lei. Essa responsabilização, executada por meio de medidas socioeducativas previstas no ECA, têm o objetivo de ajudá-lo a  recomeçar e a prepará-lo para uma vida adulta de acordo com o socialmente estabelecido. É parte do seu processo de aprendizagem que ele não volte a repetir o ato infracional.

Por isso, não devemos confundir impunidade com imputabilidade. A imputabilidade, segundo o Código Penal, é a capacidade da pessoa entender que o fato é ilícito e agir de acordo com esse entendimento, fundamentando em sua maturidade psíquica.

2°. Porque a lei já existe. Resta ser cumprida!

O ECA prevê seis medidas educativas: advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e internação. Recomenda que a medida seja aplicada de acordo com a capacidade de cumpri-la, as circunstâncias do fato e a gravidade da infração.

Muitos adolescentes, que são privados de sua liberdade, não ficam em instituições preparadas para sua reeducação, reproduzindo o ambiente de uma prisão comum. E mais: o adolescente pode ficar até 9 anos em medidas socioeducativas, sendo três anos interno, três em semiliberdade e três em liberdade assistida, com o Estado acompanhando e ajudando a se reinserir na sociedade.

Não adianta só endurecer as leis se o próprio Estado não as cumpre!

3°. Porque o índice de reincidência nas prisões é de 70%

Não há dados que comprovem que o rebaixamento da idade penal reduz os índices de criminalidade juvenil. Ao contrário, o ingresso antecipado no falido sistema penal brasileiro expõe as(os) adolescentes a mecanismos/comportamentos reprodutores da violência, como o aumento das chances de reincidência, uma vez que as taxas nas penitenciárias são de 70% enquanto no sistema socioeducativo estão abaixo de 20%.

A violência não será solucionada com a culpabilização e punição, mas pela ação da sociedade e governos nas instâncias psíquicas, sociais, políticas e econômicas que as reproduzem. Agir punindo e sem se preocupar em discutir quais os reais motivos que reproduzem e mantém a violência, só gera mais violência.

4°. Porque o sistema prisional brasileiro não suporta mais pessoas.

O Brasil tem a 4° maior população carcerária do mundo e um sistema prisional superlotado com 500 mil presos. Só fica atrás em número de presos para os Estados Unidos (2,2 milhões), China (1,6 milhões) e Rússia (740 mil).

O sistema penitenciário brasileiro NÃO tem cumprido sua função social de controle, reinserção e reeducação dos agentes da violência. Ao contrário, tem demonstrado ser uma “escola do crime”.

Portanto, nenhum tipo de experiência na cadeia pode contribuir com o processo de reeducação e reintegração dos jovens na sociedade.

5°. Porque reduzir a maioridade penal não reduz a violência.

Muitos estudos no campo da criminologia e das ciências sociais têm demonstrado que NÃO HÁ RELAÇÃO direta de causalidade entre a adoção de soluções punitivas e repressivas e a diminuição dos índices de violência.

No sentido contrário, no entanto, se observa que são as políticas e ações de natureza social que desempenham um papel importante na redução das taxas de criminalidade.

Dados do Unicef revelam a experiência mal sucedida dos EUA. O país, que assinou a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, aplicou em seus adolescentes, penas previstas para os adultos. Os jovens que cumpriram pena em penitenciárias voltaram a delinquir e de forma mais violenta. O resultado concreto para a sociedade foi o agravamento da violência.

6°. Porque fixar a maioridade penal em 18 anos é tendência mundial

Diferentemente do que alguns jornais, revistas ou veículos de comunicação em geral têm divulgado, a idade de responsabilidade penal no Brasil não se encontra em desequilíbrio se comparada à maioria dos países do mundo.

De uma lista de 54 países analisados, a maioria deles adota a idade de responsabilidade penal absoluta aos 18 anos de idade, como é o caso brasileiro.

Essa fixação majoritária decorre das recomendações internacionais que sugerem a existência de um sistema de justiça especializado para julgar, processar e responsabilizar autores de delitos abaixo dos 18 anos.

7°. Porque a fase de transição justifica o tratamento diferenciado.

A Doutrina da Proteção Integral é o que caracteriza o tratamento jurídico dispensado pelo Direito Brasileiro às crianças e adolescentes, cujos fundamentos encontram-se no próprio texto constitucional, em documentos e tratados internacionais e no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Tal doutrina exige que os direitos humanos de crianças e adolescentes sejam respeitados e garantidos de forma integral e integrada, mediando e operacionalização de políticas de natureza universal, protetiva e socioeducativa.

A definição do adolescente como a pessoa entre 12 e 18 anos incompletos implica a incidência de um sistema de justiça especializado para responder a infrações penais quando o autor trata-se de um adolescente.

A imposição de medidas socioeducativas e não das penas criminais relaciona-se justamente com a finalidade pedagógica que o sistema deve alcançar, e decorre do reconhecimento da condição peculiar de desenvolvimento na qual se encontra o adolescente.

8°. Porque as leis não podem se pautar na exceção.

Até junho de 2011, o Cadastro Nacional de Adolescentes em Conflito com a Lei (CNACL), do Conselho Nacional de Justiça, registrou ocorrências de mais de 90 mil adolescentes. Desses, cerca de 30 mil cumprem medidas socioeducativas. O número, embora seja considerável, corresponde a 0,5% da população jovem do Brasil, que conta com 21 milhões de meninos e meninas entre 12 e 18 anos.

Sabemos que os jovens infratores são a minoria, no entanto, é pensando neles que surgem as propostas de redução da idade penal. Cabe lembrar que a exceção nunca pode pautar a definição da política criminal e muito menos a adoção de leis, que devem ser universais e valer para todos.

As causas da violência e da desigualdade social não se resolverão com a adoção de leis penais severas. O processo exige que sejam tomadas medidas capazes de romper com a banalização da violência e seu ciclo. Ações no campo da educação, por exemplo, demonstram-se positivas na diminuição da vulnerabilidade de centenas de adolescentes ao crime e à violência.

9°. Porque reduzir a maioridade penal é tratar o efeito,  não a causa!

A constituição brasileira assegura nos artigos 5º e 6º direitos fundamentais como educação, saúde, moradia, etc. Com muitos desses direitos negados, a probabilidade  do envolvimento com o crime aumenta, sobretudo entre os jovens.

O adolescente marginalizado não surge ao acaso. Ele é fruto de um estado de injustiça social que gera e agrava a pobreza em que sobrevive grande parte da população.

A marginalidade torna-se uma prática moldada pelas condições sociais e históricas em que os homens vivem. O adolescente em conflito com a lei é considerado um ‘sintoma’ social, utilizado como uma forma de eximir a responsabilidade que a sociedade tem nessa construção.

Reduzir a maioridade é transferir o problema. Para o Estado é mais fácil prender do que educar.

10°. Porque educar é melhor e mais eficiente do que punir.

A educação é fundamental para qualquer indivíduo se tornar um cidadão, mas é realidade que no Brasil muitos jovens pobres são excluídos deste processo. Puni-los com o encarceramento é tirar a chance de se tornarem cidadãos conscientes de direitos e deveres, é assumir a própria incompetência do Estado em lhes assegurar esse direito básico que é a educação.

As causas da violência e da desigualdade social não se resolverão com adoção de leis penais mais severas. O processo exige que sejam tomadas medidas capazes de romper com a banalização da violência e seu ciclo. Ações no campo da educação, por exemplo, demonstram-se positivas na diminuição da vulnerabilidade de centenas de adolescentes ao crime e à violência.

Precisamos valorizar o jovem, considerá-los como parceiros na caminhada para a construção de uma sociedade melhor. E não como os vilões que estão colocando toda uma nação em risco.

11°. Porque reduzir a maioridade penal isenta o estado do compromisso com a juventude

O Brasil não aplicou as políticas necessárias para garantir às crianças, aos adolescentes e jovens o pleno exercício de seus direitos e isso ajudou em muito a aumentar os índices de criminalidade da juventude.

O que estamos vendo é uma mudança de um tipo de Estado que deveria garantir direitos para um tipo de Estado Penal que administra a panela de pressão de uma sociedade tão desigual. Deve-se mencionar ainda a ineficiência do Estado para emplacar programas de prevenção da criminalidade e de assistência social eficazes, junto às comunidades mais pobres, além da deficiência generalizada em nosso sistema educacional.

12°. Porque os adolescentes são as maiores vitimas, e não os principais autores da violência

Até junho de 2011, cerca de 90 mil adolescentes cometeram atos infracionais. Destes, cerca de 30 mil cumprem medidas socioeducativas. O número, embora considerável, corresponde a 0,5% da população jovem do Brasil que conta com 21 milhões de meninos e meninas entre 12 e 18 anos.

Os homicídios de crianças e adolescentes brasileiros cresceram vertiginosamente nas últimas décadas: 346% entre 1980 e 2010. De 1981 a 2010, mais de 176 mil foram mortos e só em 2010, o número foi de 8.686 crianças e adolescentes assassinadas, ou seja, 24 POR DIA!

A Organização Mundial de Saúde diz que o Brasil ocupa a 4° posição entre 92 países do mundo analisados em pesquisa. Aqui são 13 homicídios para cada 100 mil crianças e adolescentes; de 50 a 150 vezes maior que países como Inglaterra, Portugal, Espanha, Irlanda, Itália, Egito cujas taxas mal chegam a 0,2 homicídios para a mesma quantidade de crianças e adolescentes.

13°. Porque, na prática, a pec 33/2012 é inviável!!

A Proposta de Emenda Constitucional quer alterar os artigos 129 e 228 da Constituição Federal, acrescentando um paragrafo que prevê a possibilidade de desconsiderar da inimputabilidade penal de maiores de 16 anos e menores de 18 anos.

E o que isso quer dizer? Que continuarão sendo julgados nas varas Especializadas Criminais da Infância e Juventude, mas se o Ministério Publico quiser poderá pedir para ‘desconsiderar inimputabilidade’, o juiz decidirá se o adolescente tem capacidade para responder por seus delitos. Seriam necessários laudos psicológicos e perícia psiquiátrica diante das infrações: crimes hediondos, tráfico de drogas, tortura e terrorismo ou reincidência na pratica de lesão corporal grave e roubo qualificado. Os laudos atrasariam os processos e congestionariam a rede pública de saúde.

A PEC apenas delega ao juiz a responsabilidade de dizer se o adolescente deve ou não ser punido como um adulto.

No Brasil, o gargalo da impunidade está na ineficiência da polícia investigativa e na lentidão dos julgamentos. Ao contrário do senso comum, muito divulgado pela mídia, aumentar as penas e para um número cada vez mais abrangente de pessoas não ajuda em nada a diminuir a criminalidade, pois, muitas vezes, elas não chegam a ser aplicadas.

14°. Porque reduzir a maioridade penal não afasta crianças e adolescentes do crime

Se reduzida a idade penal, estes serão recrutados cada vez mais cedo.

O problema da marginalidade é causado por uma série de fatores. Vivemos em um país onde há má gestão de programas sociais/educacionais, escassez das ações de planejamento familiar, pouca oferta de lazer nas periferias, lentidão de urbanização de favelas, pouco policiamento comunitário, e assim por diante.

A redução da maioridade penal não visa a resolver o problema da violência. Apenas fingir que há “justiça”. Um autoengano coletivo quando, na verdade, é apenas uma forma de massacrar quem já é massacrado.

Medidas como essa têm caráter de vingança, não de solução dos graves problemas do Brasil que são de fundo econômico, social, político. O debate sobre o aumento das punições a criminosos juvenis envolve um grave problema: a lei do menor esforço. Esta seduz políticos prontos para oferecer soluções fáceis e rápidas diante do clamor popular.

Nesse momento, diante de um crime odioso, é mais fácil mandar quebrar o termômetro do que falar em enfrentar com seriedade a infecção que gera a febre.

15°. Porque afronta leis brasileiras e acordos internacionais

Vai contra a Constituição Federal Brasileira que reconhece prioridade e proteção especial a crianças e adolescentes. A redução é inconstitucional.

Vai contra o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE) de princípios administrativos, políticos e pedagógicos que orientam os programas de medidas socioeducativas.

Vai contra a Doutrina da Proteção Integral do Direito Brasileiro que exige que os direitos humanos de crianças e adolescentes sejam respeitados e garantidos de forma integral e integrada às políticas de natureza universal, protetiva e socioeducativa.

Vai contra parâmetros internacionais de leis especiais para os casos que envolvem pessoas abaixo dos dezoito anos autoras de infrações penais.

Vai contra a Convenção sobre os Direitos da Criança e do Adolescente da Organização das Nações Unidas (ONU) e a Declaração Internacional dos Direitos da Criança compromissos assinados pelo Brasil.

16°. Porque poder votar não tem a ver com ser preso com adultos

O voto aos 16 anos é opcional e não obrigatório, direito adquirido pela juventude. O voto não é para a vida toda, e caso o adolescente se arrependa ou se decepcione com sua escolha, ele pode corrigir seu voto nas eleições seguintes. Ele pode votar aos 16, mas não pode ser votado.

Nesta idade ele tem maturidade sim para votar, compreender e responsabilizar-se por um ato infracional.

Em nosso país qualquer adolescente, a partir dos 12 anos, pode ser responsabilizado pelo cometimento de um ato contra a lei.

O tratamento é diferenciado não porque o adolescente não sabe o que está fazendo. Mas pela sua condição especial de pessoa em desenvolvimento e, neste sentido, o objetivo da medida socioeducativa não é fazê-lo sofrer pelos erros que cometeu, e sim prepará-lo para uma vida adulta e ajuda-lo a recomeçar.

17°. Porque o brasil está dentro dos padrões internacionais.

São minoria os países que definem o adulto como pessoa menor de 18 anos. Das 57 legislações analisadas pela ONU, 17% adotam idade menor do que 18 anos como critério para a definição legal de adulto.

Alemanha e Espanha elevaram recentemente para 18 a idade penal e a primeira criou ainda um sistema especial para julgar os jovens na faixa de 18 a 21 anos.

Tomando 55 países de pesquisa da ONU, na média os jovens representam 11,6% do total de infratores, enquanto no Brasil está em torno de 10%. Portanto, o país está dentro dos padrões internacionais e abaixo mesmo do que se deveria esperar. No Japão, eles representam 42,6% e ainda assim a idade penal no país é de 20 anos.

Se o Brasil chama a atenção por algum motivo é pela enorme proporção de jovens vítimas de crimes e não pela de infratores.

18°. Porque importantes órgãos têm apontado que não é uma boa solução.

O UNICEF expressa sua posição contrária à redução da idade penal, assim como à qualquer alteração desta natureza. Acredita que ela representa um enorme retrocesso no atual estágio de defesa, promoção e garantia dos direitos da criança e do adolescente no Brasil. A Organização dos Estados Americanos (OEA) comprovou que há mais jovens vítimas da criminalidade do que agentes dela.

O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) defende o debate ampliado para que o Brasil não conduza mudanças em sua legislação sob o impacto dos acontecimentos e das emoções. O CRP (Conselho Regional de Psicologia) lança a campanha Dez Razões da Psicologia contra a Redução da idade penal CNBB, OAB, Fundação Abrinq lamentam publicamente a redução da maioridade penal no país.

(fonte:https://18razoes.wordpress.com/quem-somos/)

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DESESPERO PELAS PROVAS

Vai cair na prova! E agora?

Sempre que vamos chegando nas semanas de provas nas escolas é a mesma história, alunos estressados, temerosos, preocupados e cansados. O fato de fazer prova provoca nos educandos uma ansiedade que ultrapassa por vezes, os limites da angustia. Muitos alunos de tão preocupados que ficam acabam se sentindo mal, deixam de comer, às vezes desmaiam pelos corredores, tem ânsias de vomito etc, etc, etc.

Obvio que não são todos, existem aqueles que tanto faz se a água está correndo para cima ou se para baixo. Estudam pouco, levam no “mais ou menos”, empurram com a barriga e na hora da prova, desastre total. Alguns não ligam, não se estressam e por incrível que pareça saem bem, por vezes até melhores do que aqueles que quase morrem de ansiedade antes de estar diante da tão famigerada prova. Quando vem o vestibular, eleva-se tudo isso a potência.

Na verdade o que temos que pensar é que as provas não são o fim ultimo, apesar de parecerem por estarem carregadas do peso das notas para passar de ano, avançar na série ou finalizar o processo. Fazer provas nem sempre avalia corretamente a capacidade dos educandos, em muitos casos fomenta apenas a “cola” e deturpa o relacionamento escola/aluno; por isso considero este método de avaliação falido já a décadas. Temos que pensar em novas formas de avaliar o conhecimento sem causar o medo e a desestruturação dos nossos alunos. Este sistema ainda é oriundo dos métodos de produção ao qual nossos avós e pais cresceram, onde a mentalidade era formar para o mercado de trabalho, especificamente para o trabalho nas fábricas.

O mercado mudou, o sistema mudou mas continuamos avaliando a meninada do mesmo jeito. Esperando que eles se saiam bem naquele momento de prova que concatena todo o conhecimento do bimestre, semestre ou ano em poucas questões. Costumo dizer para os meus alunos que prova é uma bobagem que colocaram na cabeça deles, pois o que importa realmente é o que ele aprendeu para valer durante aquele período de estudo. Você pode fazer uma prova de física quântica e até acertar algumas questões se estudar uma hora antes, mas isso não quer dizer que você sabe física quântica. Saber é diferente de decorebas. Aprender é diferente de tirar nota boa em prova. Muitos fatores estão em volta e alicerçam o caminho que vai do ensino a aprendizagem.

A Escola ainda vive no século XIX e utiliza os mesmos métodos de avaliação deste período. Repensar a forma como avaliamos o conhecimento e o saber dos nossos alunos é de extrema importância para formarmos profissionais melhores. Currículos flexíveis, avaliações mais inteligentes que caminhem concomitante com os períodos de aprendizado, melhora nas didáticas e mais liberdade para que os alunos construam juntos com os professores os processos em sala de aula, podem ser o norte para vermos e fazermos a Escola do futuro.

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monalisaducklips

Selfie pra quem te quero!!!

O Selfie, foto tirada por você mesmo, com ou sem pessoas, para mostrar que você estava lá naquele lugar, naquela hora ou fazendo aquilo, naquela posição, com aquela cara, etc, etc, etc. tem sido o meio mais comum de comunicar pelas redes sociais com os outros, amigos ou não, familiares ou não. Uma espécie de ostentação de si mesmo para indicar aos outros que você é uma pessoa que “curte a vida a doidado” ou “que vale a pena ser lembrado” etc.

Como nos velhos tempos do descobrimento quando os portugueses trouxeram espelhos para os índios como “presentes” em troca da tranquilidade para explorar o novo território, hoje as pessoas andam por ai com seus novos “espelhinhos tecnológicos” adorando a sua imagem como se ali estivesse sua alma. Selfie gera lucro e gera individualismo também. É legal juntar a galera, esticar o pau de Selfie (novidade que surgiu no mercado em prol da grande usabilidade do selfie) e click,  foto tirada, postada na rede e eternizada pelo menos nos próximos três ou quatro minutos. Indiferente do momento, da ocasião,  da situação, lá estamos nos autofotografando para o mundo como celebridades do nós mesmos.

Velório,  queda de avião,  acidente de trânsito, aniversário,  churrasço,  tome selfie. Restaurante, escola, aeroporto, porto,  rua de casa, trabalho, selfie. Seja no quarto, no alto da montanha ou fazendo biquinnho em frente ao espelho o selfie faz parte da história que queremos contar para todo mundo, mesmo sabendo lá no fundo do nosso coração que ninguém verá e se ver não fará diferença.  Queremos cliques de curtir ao invés do momento da foto. E com a rapidez da tecnologia associada a quantidade de dados que trafega na Internet, este selfie que postamos agora se perderá no próximos minutos e com a mesma rapidez vamos também perdendo a alegria e o contexto real do encontro.

Descobri que era melhor quando tirávamos fotos para guardar nos álbuns e mostrar para recordar quando era importante ou para aquelas pessoas que realmente importava ver. Não sou saudosista, amo tecnologia, e faço meus selfie por aí também,  mas estou aprendendo a valorizar o momento e não apenas a situação.  Convido você leitor a experimentar tirar o selfie, mas não deixar se perder com ele a doçura do encontro, da amizade e do respeito ao outro.

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fonte da imagem: http://www.hojeemdia.com.br/horizontes/sem-nome-e-sem-documento-a-vida-de-quem-fez-das-ruas-a-propria-casa-1.66458

O homem invisível

Dias atrás eu estava parado em uma rua movimentada do centro comercial próximo a minha casa. E naquele vai e vem de pessoas e carros, a minha percepção estava aguçada. Eu estava próximo a uma lixeira de rua e pude presenciar uma cena que infelizmente é tão comum nos dias de hoje. Tão comum que nem mais ligamos ou percebemos, nem mais olhamos. Um senhor carregando suas coisas surradas, sujas, se aproxima e procura na lixeira algo que poderia lhe ser útil. Talvez buscasse latas velhas para vender por alguns trocados ou quem sabe procurava comida. Não sei. Só sei que ele tinha a atenção voltada para o conteúdo daquele recipiente que representa para muitos o nada, o que não vale mais, o resto.

Sabemos que o Brasil avançou na redução da pobreza, pois segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) nosso país reduziu em 75% a pobreza extrema entre 2002 e 2012. “O relatório também mostra que o Indicador de Prevalência de Subalimentação, medida empregada pela mesma FAO há 50 anos para dimensionar e acompanhar a fome em nível internacional, atingiu no Brasil nível menor que 5%, abaixo do qual a organização considera que um país superou o problema da fome. No entanto ainda assim muitas pessoas em situação de rua precisam de nossa atenção. Uma pesquisa nacional realizada entre agosto de 2007 e março de 2008, por meio de uma parceria do MDS com a UNESCO¹, incluiu a contagem e caracterização da população adulta em situação de rua nos municípios com mais de 300.000 habitantes e em todas as capitais, com exceção de Belo Horizonte, São Paulo e Recife, que haviam realizado pesquisas semelhantes em anos recentes, e Porto Alegre, que naquele momento, conduzia a pesquisa de iniciativa municipal.”

“Esta pesquisa nacional contabilizou, neste período, um contingente de 31.922 adultos em situação de rua nos 71 municípios pesquisados. Nesse sentido, ao somar o valor do contingente da pesquisa nacional com os números das pesquisas realizadas em Recife, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre estima-se que o total de pessoas adultas em situação de rua identificadas representa, aproximadamente, 50.000.”

“Embora expressivo, esse contingente não deve ser tomado como o total de pessoas em situação de rua no país: primeiro, porque a pesquisa nacional não englobou as crianças e adolescentes que também vivem nesta situação; e, principalmente, porque se deve considerar que as pesquisas foram realizadas em um conjunto de municípios brasileiros e não em sua totalidade, num período específico¹.”

Nos estamos sempre dando valor a tantas coisas supérfluas em nosso dia-a-dia mas para aquele homem, que eu nem sei se faz parte destes dados de pesquisa citados acima, o valor das coisas era diferente. Ele mexia no lixo e vez ou outra olhava em volta desconfiado, talvez com medo de que algum “concorrente” pudesse vir lhe tomar o que naquele momento poderia lhe ser o mais precioso. Talvez por uma vergonha que ainda escondia, observando para saber se alguém conseguia ver a sua invisibilidade naquele momento.

Um Homem invisível. As pessoas passavam, não viam, não olhavam, não se tocavam que ali naquele lixo um ser humano buscava o resto de uma sociedade que lhe excluía e lhe forçava a ser apenas invisível. Eu ali buscava em meus sentimentos os motivos certos para me aproximar e talvez tentar ajudá-lo de alguma forma. Tarde demais. Pensei demais, observei demais e tomei atitude de menos. O homem invisível se foi. Se tornou invisível para mim também quando virou a esquina e se perdeu na multidão.

Eu ali parado, também invisível para alguns, pude perceber na minha angústia que ainda temos muito que fazer. Que as políticas públicas são insuficientes apesar dos avanços; que se não lutarmos com determinação para dar um fim a corrupção que tanto prejudica este país, estaremos fadados também a invisibilidade. Me lembrei do cego de Jericó, texto do Evangelho de Marcos, que também era invisível sentado a beira do caminho e que quando não resistiu a presença Daquele que poderia lhe dar uma nova forma de viver incomodou a multidão ao se fazer visível pelos gritos. Poderia eu também ter ido até aquele homem invisível a humanidade e perguntar-lhe: o que queres que eu faça por você?

Não sei que respostas ouviria. Talvez um prato de comida, talvez um aperto de mãos, talvez, talvez, talvez…
O homem se foi, e eu fiquei ali, na minha invisibilidade triste e desconfortável.

¹fonte:http://www.mds.gov.br/falemds/perguntas-frequentes/assistencia-social/pse-protecao-social-especial/populacao-de-rua/populacao-em-situacao-de-rua

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fonte da imagem: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/1,,EMI702-10528,00.html

Bolinhas de sabão, adultização e as mesmices

A cidade pulsa com suas lojas, ambulantes, transito, pessoas. Em meio a essa bagunça consumista um cidadão vendia em uma banca de madeira improvisada na calçada esmaltes para crianças; é até estranho falar assim, pois esmalte não é coisa pra criança, no entanto elas adoram e hoje com a “adultização” dos nossos meninos e meninas a coisa mais difícil é encontrarmos itens reais para a criançada sem serem miniaturização dos adultos. Perto desta banca havia um homem que vendia aqueles brinquedinhos que ao soprar espalham pelo ar inúmeras bolinhas de sabão. O homem aproveitara a aglomeração de mães e meninas perto da banca de esmaltes e soprava bolinhas ao ar, e o que me chamou a atenção nisso tudo foi o fato de que ele soprava com uma cara, uma feição, de garotinho de 8 anos.
Pensei no sintoma desta patologia que vivemos que é a mercantilização de tudo, de valores, de pessoas; crianças são desde pequeninas transformadas em mini-adultos e quando chegam a adolescência se tornam esquizofrênicos, sem identidade, e permanecem na adolescência até os trinta, quarenta anos.
Aquele homem que soprava bolinhas de sabão, buscava sobreviver, ganhar o pão de cada dia, vendendo um artefato que era realmente um brinquedo de criança. No entanto as meninas não se interessavam, queriam os esmaltes. O homem, espalhava pelo ar suas bolinhas, fazia cara de menino levado, e as crianças não se identificavam com ele. O mercado conseguiu o que sempre sonhou, atingir o público que queria e que durante muitos anos não conseguiu: o infantil.
Agora, vemos uma humanidade que caminha para dias muito tristes, por que o ser perdeu o valor, e o valor pertence ao ter. Jogam-se fora pessoas, como objetos, sopram ao vento como bolinhas de sabão crianças, adolescentes e adultos sem ninguém notar, sem chamar a atenção. Normatizaram o descartável, e sendo assim ninguém se importa se nos jornais das bancas ou da TV há mais um caso de criança desaparecida, abusada, assassinada ou violentada, se há caos da educação, leis fúteis, corrupção.
Com o controle na mão caio na real e vejo que perdemos o controle. Na frente da televisão apertamos botões desesperados na tentativa de encontrar um pequeno oásis nesse deserto de cores e imagens que insiste em nos apresentar sempre mais do mesmo. Estou cansado. Meu cansaço não tem nada a ver com a atividade física e sim com o desgaste intelectual que esse Teatro de Vampiros, como dizia Renato Russo nos proporciona. Absurdadmente sugando o nosso sangue pra dentro deste “micro-ondas” temível, mas vício para uma sociedade que teima em se torna cada vez mais desumana e mais manipulável.
A culpa da TV hoje em nosso meio social, na nossa falência humana é perceptível, mas somente aos que tem ouvido e olhos para ouvir e enxergar o obvio e ululante. As noticias se transmutam e formam uma sequencia macabra. Primeiro vem a bola da vez, o assassinato da semana, o político que se deixou levar pelos desejos mais brutais de poder, depois as balas perdias mais corrupção e logo em seguida o futebol e a modelo mais linda do pedaço da ultima semana em foco. Do brutal ao fútil, transformando o terrível em bobagem, o útil em inutilidade. E assim vamos aprendendo que a vida humana não tem mais valor, que tá tudo bem se matar prostitutas ou homossexuais, que tá tudo bem se quem morre não sou eu, se o meu dinheiro não foi mexido, etc. etc. etc.
Meu Deus quanta brutalidade!
Está na hora, aliás, já passou da hora de buscarmos um novo rumo para nossas vidas, conseguindo enxergar no outro a imagem e semelhança de Deus. Um Deus que se fez homem para nos provar que temos chance, que podemos. Não esse deus criado pelos meios de comunicação ou por fundamentalistas cegos que colocam Nele as mais tristes falhas humanas.
Chega de sempre mais do mesmo, mesmo que isso seja sempre. Mudar de canal apenas não adianta. É preciso desligar os vínculos com a maldade e com a falta de amor. Buscar ser mais honesto com sigo mesmo e com os outros. Quer acabar com a corrupção? Deixe de ser corrupto. Que acabar com a intolerância? Vença seus preconceitos. Quer pessoas mais sinceras e coerentes? Pare de mentir. Quer passar esmalte nas maõzinhas de sua filha? Passe, mas permita que ela seja criança. Transforme este momento em lúdico, em cumplicidade e amor.

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fonte da imagem: http://www.controledospais.com/engenharia-social-ajude-o-seu-filho-nao-cair-nessa/

Penso, logo existo?

O que temos de mais importante nos dias atuais? Coisas ou pessoas? Sentimentos ou instrumentos?

Perguntas que talvez nos deixe com a resposta pronta a primeiro impacto, ou seja, olhando a pergunta superficialmente tendemos a responder o que nosso instinto humano leva em consideração como mais certo. Mas na prática a realidade é outra. Vivemos em um mundo onde o ter vale mais do que o ser, assunto esse já discutido por aqui, no entanto nunca esgotado.

Vejamos alguns aspectos:

Percebemos que existe no país uma polarização política, partidária e ideológica. Uma absorção de um pensamento que foi criado e que culmina em uma especie de luta de classes. “Especie” porque não é de fato. Só é, no entanto quando apraz os que vociferam isto por ai, pois quando não, isso não passa de uma “bobagem que colocaram em nossas cabeças”. O que resta disto no final das contas é que alguns se julgam melhores dos que os outros e mais detentores de direitos do que os outros, porém menos obrigados de deveres do que os outros também.

Outro ponto é que o individualismo que nos foi “ensinado” pelos meios tecnológicos causa danos as pessoas pois estamos perdendo o jeito, a forma, a receita da convivência. A mídia (grande ou pequena) cria mecanismos para que fiquemos com medo, da rua, das pessoas, dos relacionamentos, pois é muito importante para a TV que fiquemos presos, quietos em casa consumindo tudo o que nos é empurrado goela abaixo. A Internet neste contexto vem como um certo alento, pois apesar de estarmos presos dentro de casa do mesmo jeito, podemos escolher (de certa forma) não ver o que nos é oferecido pelos canais de televisão, sejam abertos ou fechados. Mas também não se engane caro leitor, não podemos escolher o conteúdo da internet que navegamos, conforme acreditamos que estamos fazendo em 100%.

Na política o desgosto é maior. Confundimos politicagem com política e não fazemos diferença. Erro grave que nos leva a acreditar que todos são ruins, “farinha do mesmo saco”. Fato que a maioria é ruim sim, mas não são todos, existem aqueles políticos que querem fazer um país mais justo e menos corrupto, porém são sufocados pelos interesses públicos e privados que preferem que fiquemos assim, atolados em corrupção para que estes saiam sempre ganhando.

Em casa vemos uma desconstrução familiar sendo feita dia-a-dia pelas telenovelas, programas e telejornais. Utilizam de uma engenharia social para implantar em cada um de nós pensamentos e opiniões que falamos com uma felicidade e certeza enormes por achar que são nossas. Pegamos no controle da TV e perdemos o nosso.

Enfim, tudo isto cria no ser humano um vazio que jamais será preenchido por coisas. Precisamos acordar deste sono zumbi que estamos entrando e olhar em nossa volta, ver que não estamos sozinhos, que podemos ir além, que juntos somos mais. Precisamos compreender que para o mundo ser mais justo, mais igualitário temos que lutar pelos direitos de todos. Deixar de olhar para o próprio umbigo (ou para as telas dos Smartphones) e caminhar em direção ao próximo de cabeça erguida.

O que vale mais para você, os seus ou as suas coisas?

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fonte da imagem: http://antigo.meurio.org.br/na_atividade/16

Diversidade que nos cabe

Você já parou para pensar sobre os modelos familiares que temos hoje em dia? Já se deu conta que muita coisa mudou e que a diversidade familiar, antes velada e escondida, agora pode se mostrar e buscar seu lugar na sociedade?

Antigamente era impensável uma família que não fosse a tradicional: pai, mãe e filhos apesar de já existir “variações” que eram mal vistas pela sociedade da época. Hoje o mundo caminhou, mudou, mas muito ainda se tem do conservadorismo e do preconceito desta época. Na diversidade atual vemos famílias que são formadas por mães, outras por pais, algumas só pela mulher e os filhos, outras por pais e filhos, existem aquelas que são formada por avós, avôs e netos.

Existem tantas outras configurações familiares que se eu fosse ficar aqui puxando pela memória para listar acredito que gastaria um post inteiro só pra isso. Mas a questão aqui não é somente esta. A questão é como nós nos portamos frente a esta situação? Vemos que estamos prontos para aceitar algumas famílias mas não outras, que podemos chamar algumas destas configurações de famílias, mas não outras. Estamos presos a nossa arrogância e perdemos a caridade e a capacidade de olhar para todos como seres humanos. Definimos nestas situações quem podemos considerar pessoas e quem não. Mas não existem sub-pessoas. Muitos se sentem maiores do que os outros e delimitam sua aceitação de acordo com o que lhes bem parece certo ou verdade absoluta.

Mas quem somos nós para definirmos o caráter de alguém senão conhecemos sua história, sua trajetória de vida? Alguns dias atrás um jovem foi espancado até a morte por ser filho adotivo de um casal homossexual. Quem definiu que por fazer parte de uma família assim, esse jovem tem que apanhar até morrer? Quem pode dizer hoje o significado da palavra família com a certeza no coração que está definindo corretamente sem se deixar levar por preconceitos ou insatisfação.

Educar para diversidade é de fato um dos grandes desafios do nosso século. Ensinar nossas crianças a compreenderem que independente da opção sexual, religião, político-partidária, time de futebol e etc, todos somos seres humanos, filhos amados de Deus. Se faz urgente em nossa sociedade, pais e professores que possam romper com este circulo vicioso do preconceito, enraizado em nós, para que possamos ter dias melhores e uma dignidade humana mais bem sucedida.

Eu sou filho de mãe solteira, fui na maior parte do tempo criado por minha avó e hoje sou casado com uma esposa maravilhosa, tenho filhas lindas. Vim de uma família que a sociedade não julga tradicional para formar uma nos moldes sociais ditos normais.

Avançamos tanto tecnologicamente, abrimos tanta vantagem nas conquistas e ainda estamos presos em uma forma arcaica de ver a vida. Negar o outro é negar a si mesmo. Que um dia possamos ter direitos iguais de verdade e sermos mais humanos uns com os outros.

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fonte da imagem: http://informacao.blog.br/2012/02/cuidado-na-hora-de-pesquisar-sobre-doencas-na-internet/

A patologia da rede

Neste mundo globalizado em que vivemos, temos como principio ativo a tecnologia e todas as suas armadilhas para nos manter conectados o tempo inteiro. É muito difícil ficar off-line atualmente. Estamos o tempo inteiro sendo instigados a estarmos plugados e na maioria das vezes, sem necessidade, nos mantemos atento ao que a rede nos oferece.

Esta dimensão do on-line o tempo inteiro é generalizado em todas as idades, classes sociais e tudo o mais que compõe a sociedade. Estar conectado é de fato parte de nossas vidas e nem percebemos que existe algo mais além das telas dos celulares, computadores, tablets, etc. Vamos caminhando para uma grande colisão com a solidão e com a perda de nós mesmos neste caminho. As redes sociais nos torna esquizofrênicos falando coisas para todo mundo e ao mesmo tempo para ninguém. Neste contexto tecnológico corremos o risco de ficarmos cada vez mais voltados para a descartabilidade do que para a amabilidade. Nos equilibramos entre a linha tênue do humano – consciente de si e do outro – e do virtual – inconsciente de si e do outro.

Virtualizamos amizades, amores, dissabores, revolta, carências e guardamos no mais profundo de nós os desejos e sentimentos reais. Desta forma estamos cada vez mais desumanos, cada vez ensimesmados e perdendo o modus operandi da convivência, da comunidade.

Temos que pensar como será o nosso futuro se cada vez mais sairmos de nós mesmos e entrarmos no computador. Como seremos ao evoluir (ou involuir) para uma humanidade quase robótica, sem sentido de pertença ou de pertencer? Ainda é possível refletir sobre essas coisas, pois pode chegar o dia em que não mais conseguiremos tomar nossas próprias decisões sem antes consultar o Google. Até mesmo para levar as pessoas esta crítica ao modo de vida plugado 24 horas que temos, preciso da Internet, do computador; e antes que alguém me crucifique por falar (digitar) tudo isso digo: SIM, eu gosto de tecnologia e estou on-line mais tempo do que deveria; tecnologia é um avanço espetacular que quando canalizado de maneira sadia pode salvar vidas, ser atrativo para o entretenimento, fonte de pesquisa coerente e acima de tudo fonte de informação.

Mas percebo que olhar para tudo isso com uma visão crítica também é um grande passo para se livrar do patológico, da doença que a rede pode causar com feridas profundas e muitas vezes sem volta. Por enquanto amigos e amigas, apenas despluguem-se por alguns instantes do dia e percebam que existe vida além da web.

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prof

O futuro é agora

Em tempos de tantas desavenças, de descrédito nas instituições políticas e de desesperança com as pessoas temos um papel fundamental para mudar os rumos da sociedade. Não apenas pelo simples fato de sermos pessoas de bem ou de termos compromissos sociais/cristãos ou por termos o desejo da cidadania correndo em nossas veias, etc. O nosso compromisso se dá principalmente por sermos professores. Sim, PROFESSORES. Somos formadores de opinião, modelo para nossos alunos e alunas, referências que estreitam a relação escola/comunidade.

Você deve pensar que eu estou louco ao dizer isto acima, mas por incrível que pareça é a mais pura verdade. Ainda somos referências. O problema é que muitos de nós estão desgostosos, despedaçados, desesperançados com a profissão e esta desmotivação atrapalha o diálogo com os alunos e alunas. A referência neste caso tem um efeito colateral, as avessas.

Ser professor só tem sentido quando descobrimos que vivemos uma missão, que não estamos para ser servidos mas pelo contrário, para servir. Servidão no sentido de levar aos que veem a escola aquilo que temos de melhor em nós: a vontade de mudar GENTE. Mudar pensamentos, construir personalidades que estão em pedra bruta, desenvolver habilidades científicas, mas também humanas. Ser professor é um trabalho artesanal, homeopático. Por mais tempo que passamos com nossos alunos, nunca é tempo suficiente para a construção da cidadania, do ser pensante e crítico, pois nossos alunos estão rodeados de tantas outras situações, pessoas, afazeres, informação e tecnologias que somos presentes menos de um terço em suas vidas. E além do mais, temos nossas vidas também.

Comentei alguns dias atrás em uma palestra para colegas de trabalho que ando com medo do termo educador. Este termo tem, a meu ver, descaracterizado a profissão de professor como já comentei outras vezes aqui neste blog. E mais ainda, depois que este adjetivo passou a renomear o professorado muito da educação familiar passou para a nossa responsabilidade sem ninguém perguntar se queríamos ou não; se podíamos ou não. O professor por excelência é educador, mas o sentido aqui é formativo.

Nossos jovens e crianças estão cada vez mais frágeis principalmente pelo comportamento dos pais que se perderam em algum ponto do caminho e não estão mais dando conta da demanda de educar. Assim, muitas escolas acabam assumindo este papel e os professores “pagam o pato”. É hora de olhar de uma nova forma para a educação brasileira, senão estaremos fadados a maior de todas as derrotas: perder de vez nossas crianças e jovens para o descaso e a falta de esperança.

O futuro é agora. Um jovem ou uma criança sem esperança, sem sonhos, sem educação é a garantia de um país sem controle, condenado a destruição.

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caminho

Confiar Desconfiando

Verdadeiramente vivemos um momento muito crítico em nosso país. Momento em que a corrupção é latente e de certa forma nos cega quando olhamos para o meio político. “Antes não víamos tanta corrupção” dizem alguns, mas a verdade é que essa mazela sempre existiu e somente agora é que a mídia faz questão e mostrar por estar absolutamente contra o governo popular que está a frente deste país a mais de 12 anos.

Você leitor, a de convir que quando se trata de certos partidos e certos políticos a mídia utiliza o método de avaliação que conhecemos como “dois pesos e duas medidas”. Com esta atitude quem verdadeiramente perde somos nós, a população. Neste início de um segundo mandato do governo de Dilma Rousseff sentimos um gosto amargo na boca; um gosto de traição por uma campanha que prometeu uma serie de medidas populares mas que descumpriu já nos primeiros meses de governo. A primeira vista ficamos perturbados e sem muita noção do que fazer. Dilma fez exatamente o que teria feito seu rival se tivesse vencido. Medidas impopulares, arrocho, aumento de preços, aumento de juros, diminuição de investimentos, cortes em alguns programas sociais. Enfim, um pacote de maldades que tem muito mais a cara de Aécio Neves do que da Dilma Rousseff que eu votei.

Para piorar o congresso é o mais conservador desde a década de 1960 e está recheado de acusados de corrupção, beneficiamentos ilícitos, etc, etc, etc. Qualquer tipo de investigação no formato CPI hoje seria como dar aos ratos a guarda do queijo.

Os movimentos sociais estão chateados, mas ainda apoiam o governo, talvez muito mais pela figura do Lula do que pela presidenta ou pelo PT. E por falar em PT, o partido que sempre esteve a esquerda do idealismo político, hoje pende para o centro-direita mas não perdeu a sua alma socialista. Sabemos que ela ainda está lá. E por ser assim, socialista na sua essência é o partido mais perseguido da atualidade. Perseguido principalmente por conseguir nos últimos anos melhorar a condição de vida da maioria pobre deste país.

Resta-nos neste momento confiar/desconfiando em Dilma e nas medidas que ela vem tomando. Resta-nos esperar, ter esperança que esta tempestade vai passar, e que aqueles que hoje torcem para o Brasil não dar certo ficarem com um gosto amargo ao ver o país voltar para os trilhos novamente.

E se tudo der errado, ainda temos a força do povo que pode ir a rua reivindicar os seus direitos de maneira democrática.

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