A escola em cima do muro

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A escola tem por costume se abster de certa forma de temas que são polêmicos e que por ventura possam denegrir a sua imagem enquanto instituição, porém,  vira e mexe ela se vê encrencada dentro destes temas que tenta se isentar. Não obstante, questões de gênero, racismo, homossexualidade, politica e etc. deixam a escola de “saia justa”, por sua falta de seriedade ao olhar para esses assuntos.

Não que a escola precisa saber e ter reposta para tudo, muitas coisas e temas são aprendidos no dia-a-dia através da discussão e da vivência da situação. Ilustra bem o que estou dizendo uma escola tradicional do Rio de Janeiro ter que mudar as regras de uso do seu uniforme depois que um aluno trans resolveu ir de saia. Este aluno foi suspenso e os educandos, para protestar, saíram em defesa do colega e fizeram um “saiaço”, ou seja, foram todos de saia.  A escola teve que rever seus conceitos. Outro exemplo foi em uma escola de classe média alta de Belo Horizonte, onde um casal homoafetivo trocou um beijo na hora do intervalo e foram reprimidos com suspensão. Vários casais heterossexuais ja haviam se beijado do mesmo modo e sofreram apenas advertência. Mais uma vez os alunos se juntaram e saíram em defesa dos colegas “injustiçados”  e a escola teve que voltar atrás  e rever sua postura. Se não pode para uns, porque pode para outros?

Poderia ficar citando muitos exemplos aqui que mostram o quanto a escola está ainda enraizada em posturas passivas e não sabe lidar com as adversidades e novidades do nosso tempo. Posso colocar neste enrosco também a tecnologia que faz parte da vida dos meninos e meninas, mas que assusta tanto os corredores escolares, desde a direção até o corpo docente.

Discutir com ética esses temas é necessário e urgente. A escola precisa descer do muro e mostrar sua opinião. Sem medo de mostrar a sua cara e consequentemente mostrar sua proposta, a escola não pode mais esperar a maré para seguir junto. Formar pessoas dá trabalho, formar dentro de um modelo ético e de cidadania dá muito mais trabalho ainda. Fácil é criar regras, aplicar conceitos, desenvolver teorias, trabalhar a formação acadêmica, isso para a escola é fácil, faz parte da sua obrigação, ela tem que saber fazer e fazer direito. Senão fizer é necessário questionar o seu papel. O grande problema é além da formação para o mercado, essa do conhecimento, formar também gente de bem. Pessoas que vão agir com ética quando ninguém estiver olhado, e com as outras pessoas também. Formar gente para ser bom em matemática e português ou física e química, que saiba ser bom no trânsito, respeitar o outro, trabalhar sem querer se beneficiar as custas da queda dos companheiros.

Este é o grande desafio, fazer seus alunos e alunas respeitar as diversidades, étnicas, politicas, sexuais, raciais, de gênero, de aprendizado, etc., etc., etc. Temos muito o que aprender e a escola também.

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