Além dos quadros brancos

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Fiz uma descoberta. Eu leciono em um curso de qualificação profissional matérias específicas sobre redes de computadores e manutenção de PCs. Ao longo dos meus 20 anos de experiência com turmas assim, pude perceber que existem alunos que não querem um certificado de conclusão do curso mas apenas uns momentos do dia fora de casa. Muito se discute sobre como chamar a atenção dos alunos para as aulas, sobre como fazê-los se envolver, mas ainda não inventaram uma fórmula que possa resolver este problema. Não há um algoritmo.

O professor inventa, tenta, faz malabarismos em sala e busca transformar aqueles momentos que está com a turma, em algo criativo e que possa gerar algum conhecimento. É claro que aqui não estou falando de todos os professores, pois bem sei e não tenho nenhum pudor de dizer que alguns simplesmente também estão nesta profissão para passar o tempo ou ver o tempo passar, sendo robóticos e fazendo tudo no automático, se o aluno aprender bem, se não ok, se fizer bem, se não ok também. Esta classe de professores se esquece (ou talvez nem saiba) que uma inteligência artificial poderá substitui-los facilmente em breve.

A empatia, a proximidade humana, o olho no olho, a conversa às vezes gera muito mais aprendizado do que as matérias que estão sendo levadas aos quadros brancos das salas de aula. Aprendi isso, fazendo, descobri isso apanhando ao longo de muitos anos, tentando fazer com que o aprendizado fosse uma mão única, só a minha. E Paulo Freire já contextualizava: “o aprendizado é uma via de mão dupla” ou seja, não basta ensinar, é preciso querer aprender. Para muitos alunos, ir a escola, a um curso, tem um sentido curricular, para outros apenas um sentido vivencial, outros tantos um sentido amórfico, e mais alguns nem sentido veem; podem até mudar de ideia durante o processo, mas também pode ser que não, e saber enxergar este limite é importante para transformar uma vida.

Ser professor é ter dúvidas, comemorar vitórias e aprender com derrotas, se sentir feliz quando o ciclo se completa, mas também conseguir se sentir feliz quando aquele aluno ou aluna que são complicados se sente bem ao seu lado e consegue perceber um pouco de humanidade que está tão desacreditada e faltosa nestes nossos tempos. Não há fórmulas, há vida.

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