A formação docente e a tecnologia da informação






Uma das grandes preocupações na educação é a formação docente, no entanto estamos vivendo um momento de transformação onde a Tecnologia da Informação (TI) tem ditado s regras do cotidiano social e isso tem influenciado diretamente a escola. O MEC – Ministério da Educação – oferece projetos de formação continuada aos docentes em diversas áreas, mas nenhuma trata contundentemente da tecnologia como realidade escolar.

Fazer curso de informática, aprender a usar o Power Point, Excel ou Word é comum hoje em dia, e fácil. Não é desse tipo de formação que estou falando. Formar o educador para a tecnologia é muito mais do que simplesmente oferecer cursos de informática (e eles são necessários), também não basta implantar laboratórios de informática nas escolas deixando-os sempre trancados, pois todos tem um medo absurdo de estragar alguma coisa. Formar o educador para a tecnologia é pensar no futuro; é trazer o futuro (que já se faz presente) para o cotidiano das aulas, é fazer o professor entender que ele é parte da formação e que o processo ensino-aprendizagem se dá em duas vias: aluno e professor aprendendo juntos, trocando informações, crescendo juntos no conhecimento.A Internet oferece muitas ferramentas para o educador criar seus projetos pedagógicos de ensino com foco em recursos tecnológicos; posso citar o Prezi, que possibilita criar aulas bem mais dinâmicas do que simplesmente as que são feitas com Power Point. O Moddle que traz a vantagem do professor criar e publicar suas aulas de maneira criativa e produtiva permitindo a criação de AVAs (Ambientes Virtuais de Aprendizagem) onde o docente pode montar salas de aulas virtuais com a sua matéria, e ainda dentro deste contexto podemos citar os blogs como o Blogger da Google e o WordPress, entre tantos outros. A quantidade de ferramentas é farta, porém quantos professores conhecem? E Quantos dos que conhecem utilizam?As estatísticas mostram que a minoria dos professores utilizam recursos tecnológicos e mesmo esta minoria utiliza apenas notebooks e projetores com precariedade, ou seja, deixam de lado uma série de recursos e ferramentas que poderiam dinamizar de maneira importante as suas aulas.

Neste meio, ainda existe uma falta de comunicação enorme, quase que abismal, entre os profissionais de TI nas instituições de ensino (quando estas tem) e os professores. Quem entende de tecnologia acha fácil e considera um absurdo o não uso dos recursos, mas se esquece que a maioria dos educadores vem de uma geração onde apertar um botão poderia ser fatal. Este medo continua enraizado na mente de muitos e se perde na preocupação de estragar algo pelo simples fato de não saber usar. É certo que muitos professores não querem realmente aprender por já estarem acostumados, enraizados em um processo de ensino-aprendizagem arcaico, mas a falta de comunicação causa danos terríveis na educação. A uma urgente necessidade de aproximação entre estes dois setores: os professores e os profissionais de TI.

Como transformar este quadro de incertezas que a escola vive diante de tantos atrativos tecnológicos? Como sobreviver uma educação onde o aluno não se sente acolhido, com vontade de estudar?

A escola se vê em um caos profundo de mudança, ou caminha para a sua extinção, ou para um renascer diferente, a educação perpassa de um extremo ao outro sem se limitar ao caminho do meio. Paulo Freire no ví­deo intitulado “O Futuro da Escola: Paulo Freire e Seymour Papert”, da TV PUC-São Paulo, diz o seguinte sobre este processo:

“Eu constato que a escola está péssima, mas eu não constato que a escola esteja desaparecendo e vá desaparecer. Por isso, então, eu apelo para que nós que escapamos da morte da escola e que estamos sobreviventes: modifiquemos a escola. Para mim a questão não é acabar com a escola, mas é mudá-la completamente, é radicalmente fazer com que nasça dela, de um corpo que não mais corresponde à verdade tecnológica do mundo, um novo ser tão atual quanto à tecnologia”.

Esta constatação de Freire já projetava um novo rumo, mesmo sendo a primeira vista pessimista, tem uma dica otimista muito grande. É preciso mudar, reinventar a escola, uma escola tecnológica, com educadores tecnológicos; não no simples fato de usar computadores, muito mais que isso. É necessário recriar a escola do zero, abrir novos horizontes, quebrar os paradigmas existentes e mudar definitivamente para atender aos alunos e a este novo contexto educacional que os dias atuais necessitam. Mas o “como fazer” ainda está sem respostas.

Temos que levar a escola em uma viagem sem volta para o século XXI, para uma nova realidade. Os alunos já estão lá, temos que ir também.

Como enriquecimento deste diálogo é bom destacar um vídeo (http://www.youtube.com/watch?v=UI2m5knVrvg&feature=player_embedded) que foi criado por Gustavo Donda e a equipe da TV1 intitulado “Rafinha 2.0”, ele é bem esclarecedor e compila em cerca de 10 minutos a realidade do jovem e a revolução que a tecnologia anda causando no mundo; vale a pena ver e refletir.