A inovação tecnológica pode ou não ajudar?




Com o passar dos anos a escola tem se preocupado com a quantidade e esquecido de investir na qualidade. É importante salientar que o a corrupção é a causa principal desta situação, pois desvios de verbas tem impedido que os investimentos sejam direcionados para o lugar certo, a educação. Vemos propagandas que dizem que mais de 90% das crianças e adolescentes estão na escola, que as escolas estão sendo todas informatizadas e etc.

Porém não vemos preocupação nenhuma em capacitar aquele que tem o poder de transformar todas as inovações em conhecimento, o professor. Há muito que caminhar neste processo. A escola precisa voltar aos trilhos do conhecimento e buscar entender toda essa inovação tecnológica que chegou com a era da informação. A única pergunta que fica é se essa inovação ajuda ou não o processo de ensino-aprendizagem?

Há pouco tempo, ao conversar com um professor amigo tive dele uma declaração no mínimo reflexiva. Este professor está fazendo um curso de informática (on-line) e ouviu do ministrante do curso que as mídias sociais tem um papel importante atualmente no processo escolar e na interação com os alunos, eu concordo; porém ele me disse que morre de medo de usar pois “não quer ser clonado,” “ter seus dados roubados”,  “estar de certa forma exposto para os alunos e todo mundo”, etc, etc e etc.

Tudo isto reflete o seu medo de lidar com a tecnologia, apesar de não poder se esquivar dela ao ponto de ter que fazer um curso on-line. Nesta conversa disse para ele que eu uso as mídias sociais, crio comunidades de estudo com os alunos, divulgo exercícios em blogs e ainda trabalho a troca de informação amistosa com as turmas. Tudo isso é muito saudável e me aproxima muito da realidade do aluno e ajuda bastante no processo de ensino-aprendizagem. É claro que tomo meus cuidados, me protejo dos “bandidos” que possam de certa forma usar as informações que posto contra mim ou de maneira maldosa.

O susto no rosto dele foi visível, mas também pude perceber um pouco de curiosidade “pintando” em seu olhar. Os alunos estão conectados e usando as mídias sociais o tempo todo, nas escolas (mesmo quando proibido), em casa, na rua, em qualquer lugar. Serviços como facebook, twitter, flickr, youtube influenciam a vida destes jovens e o professor neste contexto é fundamental para canalizar de forma correta o uso e o caminho a ser percorrido por eles dentro do mundo da Internet. E se pensarmos bem isso acontece em qualquer campo da vida.

O professor precisar criar condições para que os alunos naveguem por lugares saudáveis e interessantes, mesmo sabendo que nem sempre sua intervenção será eficaz. O mundo virtual propõe muitas facilidades e muitas formas de corrupção do caráter de quem ali navega. Temos que entender que a tecnologia faz parte de nossas vidas e de nossa sociedade de maneira profunda, onde não temos mais como escapar. Separar a Internet da vida cotidiana como se fosse algo a parte é um erro que tem trazido consequências péssimas para a nossa juventude; assassinatos, suicídios, afastamento. O nosso papel de educador de novos tempos é acordar para o fato de que temos que estar juntos dos nossos alunos e filhos neste novo mundo tecnológico e não apenas olhado de fora. Assim poderemos intervir de maneira eficaz e ter o respaldo de quem também participa para poder falar com propriedade. É hora de acordar para a realidade, seja esta virtual ou não.