A sociedade on-line e o mundo novo





Sem dúvida vivemos uma mudança de época, não temos ainda a dimensão do que está acontecendo pois estamos no meio da mudança, no olho do furacão e só se saberá coisas palpáveis sobre os dias de hoje no livros de história do futuro. Esta mudança ainda não tem nome, chamamos de pós-moderno, ou seja, algo que saiu do moderno mas que ainda não chegou ao seu lugar, e isso é impactante.

Talvez esta época no futuro seja chamada de Idade Tecnológica, e digo isso porque se pararmos para pensar os grandes avanços tecnológicos em todos os setores da sociedade aconteceram nos últimos 5 anos e ainda acontecem agora, estão sendo vivenciados neste momento. Na medicina, na física, nos automóveis, nas casas, na informática, tudo está ganhando uma nova forma agora, estamos no forno. A educação também muda e esta mudança causa desconforto pois muitas questões que estão sendo colocadas não tem respostas e para assombro de muitos, sem perspectivas de obtê-las. Que rumo a escola vai tomar a partir daqui? Que consequências essas mudanças vão trazer para o processo de ensino-aprendizagem? Como ficará o educador e o educando em meio a tecnologia que invade o sistema de ensino? O que fazer? Como proceder? Todas estas questões e tantas outras, ficam no absoluto silêncio, na reflexão e sem respostas, onde ouvimos em alguns casos um impactante “não sei”.

Sentimos um incomodo quando o assunto permeia esta discussão, principalmente quando tentamos identificar como será o caminho da escola neste meio conturbado. O professor tem buscado se adaptar, e muitas vezes, sem sucesso a este novo modelo de educação onde a tecnologia é meio absoluto no processo de ensino-aprendizagem. Nossos jovens estão totalmente on-line independente da classe ou formação e tem essa vivência tecnologia com tanta naturalidade que não se vê de outra maneira. Ele é a tecnologia. As redes sociais, os meios de comunicação e toda forma de conectividade faz parte da vida destes jovens que buscam a escola. Que estão em processo de formação. O grande “nó” nisso tudo é que este novo ser humano que está sendo gerado pela tecnologia, e que alguns estudiosos já chamam de “homointernectus” não sabe o que fazer com tanta informação. Não sabe como filtrar a quantidade de dados que encontra na web e direcionar para o que é bom.

É neste contexto que entra em ação o papel do professor e da escola, ou seja, auxiliar este jovem neste caminho virtual para que ele possa encontrar aquilo que realmente é importante e que vai trazer evolução na sua vida pessoal e profissional. Ensiná-lo a filtrar de maneira correta a quantidade absurda de dados já calculados em zettabytes que temos na internet. Mas o “nó” aperta aqui, ficando cada vez mais “cego”, pois o professor da atualidade está aquém deste mundo novo que já faz parte da vida do aluno. O professor muitas vezes se perde dentro das mídias sociais e não consegue descobrir o caminho que o leve ao conhecimento a partir do uso das NTIC´s. e muito menos o caminho que leve estas tecnologias da informação e comunicação auxiliá-lo no processo de ensino-aprendizagem em sala de aula. Talvez o professor do futuro seja uma especie de educador Big Data. Observação: Big Data é o conceito de filtrar e encontrar com precisão e qualidade dados que seja relevantes em meio a quantidade exagerada de informação que temos na Web.

Um outro problema é justamente a sala de aula. Que lugar é esse hoje? Como deve ser? A sala de aula mudou, mesmo continuando com aquela velha cara que tinha no século XIX. Tem um novo aspecto. A sala de aula é do aluno por excelência, ele tem que ter ali um lugar de conforto, um lugar onde goste de estar, onde se sinta bem. Já citei algumas vezes por ai que estudar é gostoso, o que atrapalha é a escola, porque qual aluno hoje, gosta de ir pra escola? A obrigação continua sendo o norteador para que o aluno tenha que ir. Mas quando é que vamos descobrir um lugar onde os jovens gostem de estar, mesmo que para estudar?  Talvez o problema esteja na estética das salas de aulas, no processo em que ela se encontra; os jovens tentam fazer da aula lugar para se expressarem e isso causa na verdade um tumulto e o professor, é claro, perde espaço e oportunidade de diálogo. É como uma receita que precisamos descobrir o tempero certo, a mistura correta e o ponto exato para ficar pronta. Uma receita de um bolo antes nunca feito. Totalmente novo.

Uma escola totalmente nova se faz como? Com quais ferramentas? Uma escola nova precisa de um professor novo, e este profissional se forma como? Como “cria-lo”? Onde encontrar este professor tecnológico que sabe filtrar dados, que sabe direcionar informações, que sabe encontrar as informações corretas para si e para os seus alunos? Como criar um professor Dig Data?

São questões que ainda não sabemos responder, mas que precisamos fazer. São perguntas que não são novas, nem inéditas, mas que estão na cabeça de educadores sérios que querem ver a escola se tornar o melhor lugar para formar com excelência pessoas que poderão ter a oportunidade de mudar o mundo nesta sociedade on-line que tanto carece de professores tecnológicos e norteadores de conhecimento.