Experiências Inaudíveis

Coisas incríveis acontecem, veja só. Tive o prazer e a experiência incrível de lecionar para um aluno surdo. Sempre fui adepto a desafios, adoro aceitá-los, e quando me foi proposto ter em minha turma um aluno com deficiência auditiva, fiquei bastante empolgado e interessado. É claro que foi contratada pela Escola uma interprete de Libras – Língua Brasileira de Sinais – para me auxiliar. 

Foi então que eu descobri que a Libras não “traduz” literalmente o que falamos e sim expressa em sinais o contexto daquilo que é dito, por isso, muitas vezes, o surdo escreve sem conjunções, artigos e etc.  Tive que aprender a forma de falar sobre a matéria da maneira mais simples e intuitiva que conseguisse para que a interprete pudesse levar até o meu aluno o conceito correto do que era ensinado. Foi um exercício e tanto para mim. Um exercício fantástico. E eu consegui. Meu aluno aprendeu muito bem o que estava proposto e ainda teve nota excelente nas avaliações. 

Ter presente em sala de aula pessoas com algum tipo de deficiência é fundamental para que a turma cresça humanamente. Vi isto em minha experiência, pois todos os outros alunos queriam aprender Libras (pelo menos sinais básicos, como “boa tarde”, “com licença”, “obrigado”, etc.) para se comunicar com nosso aluno surdo e gostavam de ter este momento de interação com ele. Ele por sua vez, se sentiu acolhido e levou tudo com uma naturalidade incrível. Eu aprendi muito sobre a Língua Brasileira de Sinais, aprendi muito sobre a convivência, muito sobre estratégias de ensino e muito sobre como podemos ser pessoas melhores, profissionais melhores, professores melhores, etc.

Tivemos empatia. E a minha matéria é tecnologia, lecionei conceitos de manutenção de computadores e configurações de redes de informática. Empatia em meio a tecnologia. No final, ao entregar ao jovem o diploma e receber dele o agradecimento pelo aprendizado, compartilhei com ele, em sinais que com certeza, quem realmente  aprendeu mais fui eu.