Retrospectiva da Minha Vida Escolar

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É interessante lembrar a minha vida acadêmica, dos meus primeiros anos de estudo, das minhas dificuldades e medos. Não fiz o antigo jardim de infância, já comecei direto na primeira série, só que com oito anos. Muitos problemas me afligiram aos sete, medo, doença, tantas coisas que não vem ao caso agora.

Mas quando fiz oito anos fui para escola: Escola Estadual Olímpia Rezende; comecei na turma dos alunos que eram considerados “atrasados”, os repetentes, com dificuldades etc. No começo minha avó, teve que ficar dentro de sala comigo, pois o meu chororó era tanto que mobilizava a escola inteira. Paciência da professora, e da minha saudosa vovó, que da sala passou para o corredor, depois pra entrada da escola, até que já não precisava ficar mais lá, eu já me sentia seguro. Mas essa segurança aumentou com uma professora baixinha, morena, óculos e cabelos na cintura, acho que Dona Jussara, não me lembro bem o nome mas a pessoa dela marcou, principalmente o olhar penetrante e a tranquilidade do falar que era doce a ao mesmo tempo firme. Fui para a sala de dona Jussara algumas semanas depois da minha entrada na escola, fiz um teste na sala da direção, indicado pela professora paciente que permitia minha vó ficar na sala junto comigo, e mostrei que podia ir pra sala dos alunos mais “espertos”. Eram situações da época, alunos bons em salas diferentes de alunos ruins; hoje em muitas escolas a ideia persiste com nomes diferentes.

Assim Dona Jussara me marcou, marcou para o bem, seu jeito legal, sua forma serena e a facilidade que tinha de nos ensinar o “beabá”. Sobrevivi ao primário.

Outros professores passaram em minha vida e marcaram coisas boas e coisas ruins; no ensino fundamental por exemplo o professor Carvalho marcou pelo fato de se tornar no mesmo ano que o conheci diretor da Escola. Ele era um legal professor de português e se tornou um carrasco diretor escolar. Coisas da carreira, sei lá. Mas o certo é que todos tinham pavor desta frase: “gente o professor Carvalho está vindo.” Nem me lembro porque, nunca o vi sendo grosseiro ou maltratando algum aluno. Sobrevivi ao ensino fundamental.

Quando eu estava no ensino médio, que também era técnico, tive a oportunidade de ter professores interessantes, bons, chatos, sabidos, inteligentes, burros. Todos com suas características e formas de usar a ferramenta do ensino como bem entenderam. Um professor de matemática me marcou pela sua arrogância, intolerância e frases estúpidas, o de história, era amigo, jeito afeminado, brigava pelos alunos. E por conta da briga do professor de história na defesa dos alunos contra o de matemática, este último acabou demitido, foi substituído por outro que para nosso desespero, era tão arrogante, ignorante e intolerante quanto (nunca tive sorte com professores de matemática). O professor de processamento de dados, uma das matérias técnicas do curso, conhecia do assunto, mas a didática era péssima. Português, Literatura e Inglês eram ministrados pela mesma professora, sem graça, chata e depressiva. Mas sobrevivi ao ensino médio.

Na faculdade, grandes mestres, alguns pouco produtivos, outros encantadores. A dificuldade está no fato do ter que se virar sozinho na maioria das vezes para “passar de ano,” nem sempre os professores estão dispostos a te ajudar. Mas isso é bom para o crescimento no fim das contas. Sobrevivi a faculdade também.

A vida escolar é assim, temos tantas lembranças e tantos exemplos. Tive bons e maus exemplos com os professores que passaram na minha vida. Todos eles me ensinaram alguma coisa. Uns de como não ser, outros de como proceder. Consegui tirar e filtrar o meu jeito de ser professor hoje com a carga que tive ao passar por todos esses anos de estudo, mas confesso que dona Jussara (acho que esse era o nome dela mesmo) teve um lugar especial na minha formação.

Hoje consigo ser um professor que vai além do simples fato de ensinar, busco ser educador de uma nova história para os meus alunos, busco ser referência e mostrar pra eles que mesmo com as dificuldades da vida, com suor e luta podemos chegar lá, naquele lugar que desejamos sem deixar de lado a amizade, o bom humor e o amor, pois tudo o que fazemos com amor é de certa forma bem feito e bem visto. Na vida escolar às vezes parece que não vamos sobreviver, mas normalmente conseguimos sair vivos sim.

 

 

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